segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Dama de Espadas: Procuradores consideram agir contra chefe do MPRN

Rinaldo Reis 


A revelação de que o procurador-geral de Justiça manteve contato com a ex-procuradora-geral da Assembleia Legislativa, Rita das Mercês, enquanto ela era investigada na Operação Dama de Espadas, a pretexto de agilizar a aprovação de matéria de seu interesse, está sendo considerada por procuradores de Justiça, que pensam em tomar medidas contra o chefe do Ministério Público do Estado.

Corregedor interino do Ministério Público, o procurador Anísio Marinho explicou que qualquer deliberação nesse sentido deverá acontecer na reunião ordinária marcada para 11 de fevereiro. Pela posição que ocupa, ele preferiu não emitir opinião. “Estou na Corregedoria, e prefiro não opinar sobre assunto que posso ser instado a analisar”, explicou.

Por outro lado, um segundo procurador, que conversou reservadamente com a reportagem, afirmou que a situação é constrangedora. A fonte comentou ainda que não tem mantido contato com seus outros colegas para saber o que eles pensam a respeito, mas arriscou dizer que esse assunto não vai cair no esquecimento. “Por muito menos já acionamos o PGJ na Justiça”, arrematou.

De acordo com as interceptações divulgadas, Rinaldo procurou Rita das Mercês em agosto de 2014 para agilizar a mudança na forma como o Ministério Público indicava representantes para se tornarem desembargador. Atualmente, no Tribunal de Justiça, a vaga que compete ao MPRN é ocupada pela desembargadora Judite Nunes.

À época em que Rinaldo pleiteou a mudança na forma da indicação, Judite pensava em se aposentar, o que não aconteceu. Se tivesse deixado a carreira no Judiciário, a magistrada teria aberto vaga que só poderia ser preenchida por um procurador de Justiça. Com a mudança pleiteada e obtida por Rinaldo, promotores também poderão disputar a vaga.

Ao portalnoar.com, Rinaldo informou, via assessoria de imprensa, que não considera a hipótese do Colégio de Procuradores adotar medidas contra ele. “Os membros do Colégio têm a capacidade de constatar que o procurador-geral estava tratando de um assunto de interesse da Instituição, uma mudança de lei que não beneficiava pessoalmente o PGJ”, informou, em nota, o PGJ.

Portal No Ar

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