Obama dribla a crise e se reelege presidente dos Estados Unidos, segundo a manchete da Folha, na madrugada de hoje, 7.
A vitória de Obama tem um valor simbólico: no mesmo dia 7 de novembro,
há 152 anos, era eleito presidente Abraham Lincoln (1861-1865), um de
seus ídolos.
Realmente, a vitória democrata é singular na história das reeleições
americanas. Em momentos de crises, os presidentes não conseguiram se
reeleger.
George Bush foi um exemplo,que perdeu para Clinton empunhando a bandeira da recuperação econômica.
Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, repete os seus dois
antecessores, George W. Bush (2001-2009) e Bill Clinton (1993-2001).
Torna-se o 20º presidente americano (de 44) e o sétimo democrata a conseguir a reeleição.
O que se percebe na reeleição de Obama é que a sua maior dificuldade
para permanecer na Casa Branca foi ter prometido em demasia na eleição
de 2008. Ele despertou nos Estados Unidos confiança e esperança no
futuro, através de mudanças profundas na estrutura de Washington, o que
não aconteceu.
Aí está o seu mérito e a razão principal da renovação do voto de confiança que o povo lhe deu.
O maior desafio será garantir a sustentação da economia do país, em meio ao ambiente de polarização partidária.
As urnas indicam que o Congresso permanecerá dividido, com os
democratas controlando o Senado e os republicanos com o domínio na
Câmara.
Neste contexto legislativo, Obama terá pela frente decisões inadiáveis
sobre os rumos futuros dos Estados Unidos em questões como gastos
públicos, saúde, o papel do Estado e os desafios da política externa,
como a ascensão da China e as ambições nucleares do Irã.
Particularmente em relação ao Brasil, a vitória de Obama não afetará as relações comerciais em curso.
Caso Romney fosse eleito, talvez reduzisse o protecionismo econômico a
produtos americanos, como o açucar e o alcool brasileiros. O fato é de
pouca relevancia.
Os republicanos são menos protecionistas, porém adotam comportamento
radical contra os países em desenvolvimento, defendendo liberdade
econômica ampla, total e irrestrita, o que não favoreceria o nosso país.
Detalhe importante sobre a democracia americana é que lá as decisões econômicas passam pelo crivo do Congresso.
No Brasil, o executivo faz o que quer quer nesta área. O nosso
Congresso se assemelha a um "boneco", que apenas referenda o que o
governo decide.
Não opina absolutamente nada em matéria de política externa. Esse um ponto falho da democracia brasileira.
Em conclusão, a vitória de Obama foi melhor para o Brasil e para o mundo.
O seu conceito de liberdade é mais compatível com o século XXI, onde as
desigualdades sociais terão que ser superadas, através da igualdade de
oportunidades.
A fé mundial é que Obama trabalhe nesta direção. Que Deus o ajude!
Ney Lopes
Jornalista, advogado e ex-deputado federal
www.blogdoneylopes.com.br
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