Da Folha de São Paulo.
Diante das medidas de estímulo do governo à economia brasileira, o PIB
(Produto Interno Bruto) cresceu 0,6% no terceiro trimestre na comparação
com o segundo trimestre, livre influências sazonais, e consolidou leve
reação depois de registrar dois tímidos avanços no primeiro semestre
deste ano.
Apesar de estar abaixo das expectativas, trata-se do melhor resultado
desde o primeiro trimestre de 2011. A projeção dos analistas variava de
0,9% a 1,3% de alta. Em valor, o PIB somou R$ 1,098 trilhão.
Em relação ao segundo trimestre, a economia registrou um ligeiro avanço.
Naquele período, o PIB havia registrado leve alta de 0,2% ante o
primeiro trimestre na comparação livre de influências sazonais. Esse
dado foi revisado para baixo. Originalmente, o IBGE havia constatado uma
alta de 0,4%.
Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a alta foi de
0,9% --ante alta de 0,5% no segundo trimestre ante 2011. Os dados foram
divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
nesta sexta-feira (30).
| Marcelo Justo - 31.out.12/Folhapress | ||
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| Produção de vagões de trem em Hortolândia (SP); indústria deu a 2º maior contribuição para o PIB no trimestre |
Puxada pelo crescimento das vendas de veículos, a indústria cresceu 1,1%
de julho a setembro na comparação com o trimestre anterior. O setor de
serviços, o de maior peso na economia brasileira, ficou estável na mesma
base de comparação. A agropecuária registrou expansão de 2,5%.
Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias, item mais importante
nessa leitura, subiu 0,9% na comparação com o segundo trimestre. O
investimento caiu 2% e o consumo do governo avançou 0,1%. As exportações
aumentaram 0,2%, enquanto as importações --que são descontadas do
cálculo do PIB por refletirem uma produção realizada fora do país--
caíram 6,5%.
Na comparação anual, com o terceiro trimestre de 2011, o PIB cresceu
0,9%. O resultado reflete a queda de 0,9% da indústria, a expansão de
1,4% dos serviços e da alta de 3,6% da agropecuária. Foi o melhor
resultado desde o quarto trimestre de 2011.
O consumo das famílias teve alta de 3,4% e o investimento caiu 2,4% nesta mesma base de comparação.
No acumulado dos últimos 12 meses (os últimos quatro trimestres), os
dados do IBGE mostram um crescimento de 0,9% da economia brasileira. O
indicador mostra o quanto o PIB teria crescido se o ano se encerrasse em
setembro.
ENTENDA O PIB
O PIB (Produto Interno Bruto) é um dos principais indicadores de uma
economia. Ele revela o valor de toda a riqueza gerada no país.
O cálculo do PIB, no entanto, não é tão simples. Imagine que o IBGE
queira calcular a riqueza gerada por um artesão. Ele cobra, por uma
escultura, de madeira, R$ 30. No entanto, não é esta a contribuição dele
para o PIB.
Para fazer a escultura, ele usou madeira e tinta. Não é o artesão, no
entanto, que produz esses produtos - ele teve que adquiri-los da
indústria. O preço de R$ 30 traz embutido os custos para adquirir as
matérias-primas para seu trabalho.
Assim, se a madeira e a tinta custaram R$ 20, a contribuição do artesão
para o PIB foi de R$ 10, não de R$ 30. Os R$ 10 foram a riqueza gerada
por ele ao transformar um pedaço de madeira e um pouco de tinta em uma
escultura.

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